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Os
compromissos de nível mais elevado (de caráter quase metafísico)
que o estudo histórico revela com tanta regularidade, embora
não sejam características imutáveis da ciência,
são menos dependentes de fatores locais e temporários
que os anteriormente mencionados. Por exemplo, depois de 1630 e especialmente
após o aparecimento dos trabalhos imensamente influentes de Descartes,
a maioria dos físicos começou a partir do pressuposto
de que o Universo era composto por corpúsculos microscópicos
e que todos os fenômenos naturais poderiam ser explicados em termos
da forma, do tamanho, do movimento e da interação corpusculares.
Esse conjunto de compromissos revelou possuir tanto dimensões
metafísicas como metodológicas. No plano metafísico,
indicava aos cientistas que espécies de entidades o Universo
continha ou não continha - não havia nada além
de matéria dotada de forma e em movimento. No plano metodológico,
indicava como deveriam ser as leis definitivas e as explicações
fundamentais: leis devem especificar o movimento e a interação
corpusculares; a explicação deve reduzir qualquer fenômeno
natura a uma ação corpuscular regida por essas leis. O
que é ainda mais importante, a concepção corpuscular
do Universo indicou aos cientistas um grande número de problemas
que deveriam ser pesquisados. Por exemplo, um químico que, com
Boyle, abraçou a nova filosofia, prestava atenção
especial àquelas reações que poderiam ser interpretadas
como transmutações. Isto porque, mais claramente do que
quaisquer outras, tais reações apresentavam o processo
de reorganização corpuscular que deve estar na base de
toda transformação química. Outros efeitos similares
da teoria corpuscular podem ser observados no estudo da Mecânica,
da Óptica e do calor. |
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